
apal pado
um poema
que não se pode a pal par
queira talvez ser a den trado
um poema
que não se pode a dent r ar
queira talvez se olh a do
queira tal vez ser com pre en dido
wenn man ginge ? Onde
chegar-íamos
Se todos dissessem: onde chegaríamos? mas ninguém fosse olhar ao menos uma vez onde chegaríamos se fôssemos?
se se se sesese se ssssssss sss
"autopsicografia" ou o conceito do leitor ideal
a poesia afasta da realidade. se, num vértice, é uma resposta ao mundo, no outro é a própria alucinação. os fabricadores de imagens mais não fazem que imitar o que veêm e sentem pelas calhas de roda. a verdade esconde-se do poeta que a dissimula e reverte-a e esconjura-a. aquele que melhor pinta, é também o artista mais perigoso: o que mais se aproxima da verdade e ilude os inofensivos, fá-los acreditar. pelo conceito de verosimilhança, a poesia leva os homens a acreditar. a poesia não pode ser uma vivência pessoal, não é um desabafo. os artifícios manejados pelo poeta não deviam motivar as paixões, desinquietar as peles. não desinquietou a dele!ler a poesia com uma finalidade útil. vivê-la quem lê. não senti-la.a linguagem poética é a linguagem que sofreu de inoperactividade. esvaziou do significado primeiro e ficou livre para receber novos conteúdos. o poema nunca quer dizer o que diz. nada há a dizer, daquilo que se vive.
["a poem should not mean, but be" archibald mac leish4'38/21 jan/para o "sombras múltiplas"
kurt marti poemas à margem desconstruído foto 1 linhas a brito
texto autopsicografia do blog da lia bettencurt gesta
.
~
peri feri a
s )(

) palomas pássaros pedras gatos cegonhas índicos indícios ~
cegonhas gansos aves cerejas [ aves cais ancorar lobo cais
: todo se explica en la impossibilidad

palomas gansos côncavos ais rosa abutre morabeza laranja


Atraviesan
la inexistencia.
Hay huellas de pastor frente al abismo.
Cóncavas.
Todo se explica en la imposibilidad.
Hay úlceras en la pureza,
de lo visible a lo invisible.

( xxxxxxxxxxxxxxxx escatologicamente: consistimos: ondas sopro indícios: índicos ais: palomas
Quizá el silencio dura más allá de sí mismo y la existencia es sólo
un grito negro, un alarido ante la eternidad.
El error pesa en nuestros párpados.
alterações [ indefinitivas sobre poemas de antonio gamoneda in arden las pérdidas
foto1 e 4 ana franco 2 carlos cunha 3 diogo ramos moreira
~

Peindre d'abord une cage
avec une porte ou verte
peindre en suite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'ois eau ~
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'ois~eau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
at tendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'ois~eau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'ois~eau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'~oieau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de
l'ois~eau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'ois eau~
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'ois eau~ se décide à chanter
Si l'~ois eau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout douce ment
une des plumes de l'~ois eau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
Para pintar o retrato de um pás s aro
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.

Depois pinte
Às vezes o pás s aro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pás s aro
não influi no bom resultado
do quadro.
Quando o pás s aro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então,
apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pás s aro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pás s aro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
e então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza, você arranca
uma das penas do pás s aro
e escreve seu nome em um canto do quadro.

[ poema jacques prévert alterado trad não id
4 ~jacques prévert paris 1955 foto robert doisneau
3 ~henri matisse foto henri cartier-bresson
2 ~foto não id
1 ~modesto ooo2 desenho fernando zanforlin
também as pessoas sérias
se cruzam às vezes na sombra da tarde:
quando não podem fugir
indagam cuidadosamente a curvatura dos líquidos
recordando
estridências de ninhos muros exílios
tangerinas flores de orvalho
[ que também elas se lembram filhas do bosque e
mais por dentro
veados:
religam por isso os ecos da língua à noite
salivando como gotas alongadas
numa estranha e póstuma fidelidade:
assim se espalham
[ as pessoas sérias
filtradas ao medo à ponte ao segundo
assim de repente inviáveis
num súbito contrair galopado
arrastam consigo penas
interrogam
circulares:
:mis
se inclinam
a murmurar traduções

uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra

As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.


Fear of the past rising up.
Fear of the present taking flight.
Fear of the telephone that rings in the dead of night.
Fear of electrical storms.
Fear of anxiety!
Fear of having to identify the body of a dead friend.
Fear of running out of money.
Fear of having too much, though people will not believe this.
Fear of waking up to find you gone.
Fear of not loving and fear of not loving enough.
Fear that what I love will prove lethal to those I love.
Fear of death.
Fear of living too long.

RaymondCarverMuitoAlteradoTraduçãoEmCommentFoto1CarlRymenamsBusstop2areiaAntonioFRibeiro3martinBiribauer
.

deste

explica-me
dança.quebra
(( aqui
desnudada faca e ferros
se se adivinhar de que
estrondo.estrilho a talho adivinhar!? ))
xxxxxxxxx
xxxxx
disfarçar ( ai deus
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
para me
dis farç ar ( a i

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"

_________________________________________
joséGomesFerreira/alterado.Fotos1NC,2deathMSevy3flowerTripSuzanneB.


Meu eu sem tu
Meu ninguém de sombra
*forma alterada

Não me importa nada que as mulheres tenham seios como magnólias ou como figos secos; uma pele de pêssego ou de lixa. Não dou nenhuma importância, ao facto de que amanheçam com um hálito afrodisíaco ou com um hálito insecticida. Sou perfeitamente capaz de suportar um nariz que ganharia o primeiro prémio numa exposição de cenouras; mas isso sim--e nisso sou irredutível—não lhes perdoo, sob nenhum pretexto, que não saibam voar. Se não sabem voar perdem o tempo as que pretendem seduzir-me!
Esta foi – e não outra, a razão porque me apaixonei tão loucamente por Maria Luísa.
Que me importavam os seus lábios entalhados e os seus ciúmes sulfurosos? Que me importavam as suas extremidades de palmípede e os seus olhares de prognostico reservado ?
Maria Luísa era uma verdadeira Pluma!


/texto de oliverioGirondo. in qual é a minha ou a tua língua?-cem poemas de amor de outras línguas.fotos de joannaJoy.blue.ThomasZimmerman.underwater.fairyYale./
porque
voar nadar
é
deslizar
na direcção de
nada
de
s e r
o corpo atirado ao acaso
sustentado
apenas
da sua
beleza
da sua
l e v e z a
~
Anônimo disse...
Não sei se voar me interessa.Porque ao voar mergulho em mim num tal solilóquio que qualquer outro me parece esvaziar-se de sentido. Neste meu exercicio de voar vejo coisas. Neste meu acto de narciso contemplo a transparência da paisagem.
Rui Carlos Souto

O DESCASCADOR DE CANELA

nunca mais poderias passar no mercado
sem a profissão dos meus dedos
flutuando por cima de ti. O cego tropeçaria
certo de quem se aproximava

desejo-vos belos tempos de odor a canela
~~ e belos dias... como só os dias de agosto da infância...
dias
de avós
de amoras.
o corpo ateia no chão
vermelhos rumores indecifrados.
ampulheta dormente
paredes
fremindo
sol
~
Duerme tranquilo
Dijiste la palabra que enamora
A mis oídos. Ya olvidaste. Bueno.
Duerme tranquilo. Debe estar sereno
Y hermoso el rostro tuyo a toda hora.
Cuando encanta la boca seductora
Debe ser fresca, su decir ameno;
Para tu oficio de amador no es bueno
El rostro ardido del que mucho llora.
Te reclaman destinos más gloriosos
Que el de llevar, entre los negros pozos
De las ojeras, la mirada en duelo.
¡Cubre de bellas víctimas el suelo!
Más daño al mundo hizo la espada fatua
De algún bárbaro rey. Y tiene estatua.
[ Alfonsina Storni fot Kerstin Junker
.

When I heard at the close of the day how my name had been
receiv’d with plaudits in the capitol, still it was not a
happy night for me that follow’d;
And else, when I carous’d, or when my plans were accomplish’d,
still I was not happy;
But the day when I rose at dawn from the bed of perfect health,
refresh’d, singing, inhaling the ripe breath of autumn,
When I saw the full moon in the west grow pale and disappear
in the morning light,
When I wander’d alone over the beach, and undressing, bathed,
laughing with the cool waters, and saw the sun rise,
And when I thought how my dear friend, my lover, was on his
way coming, O then I was happy;
O then each breath tasted sweeter – and all that day my food
nourish’d me more – and the beautiful day pass’d well,
And the next came with equal joy – and with the next, at evening,
came my friend;
And that night, while all was still, I heard the waters roll
slowly continually up the shores,
I heard the hissing rustle of the liquid and sands, as directed to
me, whispering, to congratulate me,
For the one I love most lay sleeping by me under the same cover
in the cool night,
In the stillness, in the autumn moonbeams, his face was inclined
toward me,
And his arm lay lightly around my breast – and that night I
was happy.
Quando ouvi, pelo fim do dia, como o meu nome havia sido
recebido com aplausos no Capitólio, ainda assim não foi
feliz para mim, a noite que se seguiu;
E, quando festejei, ou, quando os meus planos foram atingidos,
assim mesmo não me senti feliz;
Mas, no dia em que cedo me levantei, de perfeita saúde,
renovado, cantando, inalando o maduro fôlego outonal,
Quando vi a lua cheia, a oeste, ficando pálida e a desaparecer
na luz da manhã,
Quando vagueei sozinho sobre a praia e, despindo-me, me banhei,
rindo com as águas frias, e vi o sol nascer,
E quando pensei em como o meu querido amigo, o meu amante, estava a
caminho, Oh, então senti-me feliz;
Então, cada fôlego me foi mais doce – e todo o dia, meu alimento
me nutriu mais – e o belo dia passou bem,
E o seguinte chegou com igual alegria – e com o próximo, pelo fim da tarde,
chegou o meu amigo;
Naquela noite, quanto tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se a
mim, cochichando, felicitando-me,
Porque aquele que amo dormia comigo sob a mesma coberta
na noite fria,
No sossego, nos outonais raios de luar, seu rosto inclinado
sobre mim,
Seu braço em redor do meu peito, suavemente – e naquela noite
fui feliz.
in CALAMUS. Walt Whitman. Trad. José Agostinho Baptista
"Cálamo é aqui uma palavra corrente.
Trata-se da erva ou juncácea aromática
de grande porte que cresce nas zonas
pantanosas dos vales,
cujo caule mede quase um metro de altura;
vulgarmente chama-se sweet-flag;(...)"
(carta de Whitman ao seu editor inglês em 1867)
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